Gestão do processo do conhecimento  - parte 7

A utilização do conhecimento

Davenport e Prusak (1998, p. 174-175) estudaram trinta e um projetos de gestão do conhecimento em vinte empresas. Dos projetos estudados, identificaram três tipos de objetivos em comum: “tentativas de criação de repositórios de conhecimento, tentativas de melhoria de acesso ao conhecimento e tentativas de melhoria da cultura e ambiente do conhecimento”.
Dos repositórios estudados, afirmam os autores, foram encontrados os seguintes na pesquisa realizada (p. 176-177):
a) conhecimento externo: a inteligência competitiva foi o exemplo observado. Uma montadora reuniu “relatórios de analistas, artigos de publicações especializadas e pesquisas externa de mercado sobre os concorrentes”.
b) conhecimento interno estruturado ou explicito: os autores referem-se ao saber acumulado e organizado na empresa. Apoiados em sistemas informatizados e documentos impressos.
c) conhecimento interno informal ou tácito: para criar repositório desse tipo de conhecimento, a HP desenvolveu, em Notes, um banco de dados que acumulava “dicas, macetes, insights, experiências e observações”. Os autores também citam o caso de empresas que criaram comunidades de discussão virtual para acumular o conhecimento tácito.

Conhecimento tácito e conhecimento explícito Daft (2003, p. 239 – 246) faz duas abordagens para a gestão do conhecimento: o conhecimento tácito e o conhecimento explícito. O autor relaciona o primeiro como sendo “abordagem das pessoas para as pessoas” e o segundo como “abordagem das pessoas para os documentos”. Conhecimento Tácito

“Baseia-se em experiência pessoal. Bom senso, intuição e juízo. Ele inclui know-how e experiência profissional, insight e experiência individual e soluções criativas que muitas vezes são difíceis de comunicar e transmitir para os demais”. Assim define Daft (2003, p. 239) sobre o conhecimento implícito ou tácito.
De acordo com o autor, o conhecimento tácito se dá pela interação, face a face ou virtualmente, entre as pessoas. O network dessas pessoas é uma preocupação dos gerentes, que concentram esforços para desenvolvê-lo.
Entretanto, existem empresas dispostas a não só incentivar o networking, mas também armazenar esses conhecimentos. Exemplos dessas tentativas são dados por Terra (2003) como a General Eletric – GE e as Empresas de Correio e Telégrafos – ECT. Essas empresas utilizam o Portal Corporativo para armazenar e compartilhar conhecimento tácito, transformando-os em conhecimento estruturado. Também em Angeloni (2008) se podem encontrar casos como a experiência em Comunidade de Prática da Prefeitura Municipal de Curitiba ou no já citado caso do DETRAN/AL.
Contudo, nem sempre é simples captar o que está implícito, mesmo com a ajuda da tecnologia. Existem conhecimentos que foram interiorizados “pelo conhecedor no decorrer de um longo período de tempo”, que “é quase impossível de reproduzir num documento ou banco de dados [...] porque simplesmente alguns tipos de conhecimento não podem ser representados efetivamente fora da mente humana” (DAVENPORT E PRUSAK, 1998, p. 86).
Conhecimento Explícito
Para Daft (2003, p. 240), quando ocorre a documentação do conhecimento então se dá o conhecimento explícito. A estruturação do conhecimento tem origem interna ou externa à organização e o processo se dá com a “coleta e codificação do conhecimento e seu armazenamento em banco de dados onde possam ser facilmente acessados e reutilizados”.
São de origem interna: o conhecimento tácito depois de estruturado; políticas e procedimentos; propriedades intelectuais (patentes e licenças). São de origem externa: “informações específicas sobre clientes, mercados, fornecedores ou concorrentes, relatórios de inteligência competitiva [...]” (DAFT, 2003, p.240).
Segundo o autor, “algumas empresas estão empreendendo projetos de mapeamento do conhecimento, que identificam onde o conhecimento está localizado na organização e como acessa-lo” (p. 242). Em concordância com Davenport e Prusak (1998) e Stewart (2003), Daft (2003) cita o uso do Lotos Notes. Neste caso, o uso do Notes se dá na Hughes Space & Communications como instrumento facilitador de busca (acesso e compartilhamento) ao conhecimento acumulado na organização.

Referências

DAFT, Richard L. Organizações: teoria e projetos. São Paulo: Pioneira Thomsom Learning, 2003.
DAVENPORT, Thomas H; PRUZAK, Laurence. Conhecimento empresarial, como as
organizações gerenciam o seu capital intelectual: métodos e práticas. 13. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
TERRA, José C. C. Gestão do conhecimento e E-learning na prática. Rio de Janeiro:
Negócio Editora, 2003.
STEWART, Thomas A. Capital intelectual. 10. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1998.

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