Gestão do processo do conhecimento - parte 3

Elementos da gestão do conhecimento

Atualmente, entre os autores como Davenport e Prusak, Stewart, Carbone, Angeloni e Terra, encontram-se vários elementos comuns quanto ao entendimento da gestão do conhecimento nas organizações. Do mais amplo ao mais estrito, podem ser citados: as competências humanas; os conhecimentos, as atitudes e as habilidades pessoais; a criação, o registro, a transferência, a aplicação e a avaliação do conhecimento; a aprendizagem; o sistema de informação; a inovação e a vantagem competitiva.

Corroborando a afirmação acima, Carbone (2006, p. 34-45) considera que “a

sustentação da vantagem competitiva depende de uma capacidade superior para identificar, construir e alavancar novas competências” e que a “vantagem competitiva é obtida, fundamentalmente, pela inovação”. O autor relaciona os três insumos da competência:

a) e utiliza-los em uma ação”;

b) a atitude do trabalhador, “que determina a sua conduta em relação aos outros, ao trabalho ou a situações”;

c) o conhecimento, “que corresponde a informações que, ao serem reconhecidas e integradas pelo individuo em sua memória, causam impacto sobre seu julgamento ou comportamento”.

Quanto à criação do conhecimento nas empresas:

Criar novos conhecimentos não é apenas uma questão de aprender com outros ou adquirir conhecimentos externos. Além disso, o conhecimento deve ser construído internamente na empresa, passando pela conversão do conhecimento tácito em conhecimento explícito, sobretudo pelo processo de compartilhamento de experiência que a levem a rever ou a recriar modelos mentais ou habilidades técnicas, com o uso de comunicações escritas ou orais (NONAKA e TAKEUCHI, apud Angeloni (Org), 2008, p. 52).

Angeloni (p. 52.) ainda faz referência sobre o compartilhamento do conhecimento, que deve haver a participação não só da gerência, mas de todos os funcionários, seja pela utilização de banco de dados, de networks ou outras formas de socialização.

Outro fator fundamental é o uso de tecnologia como suporte à gestão do conhecimento. Tal elemento cria facilidades ao longo do processo de gestão (TERRA (Org), 2003).

Esse autor cita alguns casos de uso da tecnologia voltados para a gestão do conhecimento. Um desses casos ocorreu na Caixa Econômica Federal - CEF, quando em agosto de 1996 uma equipe de funcionários da instituição apresentou o Projeto Onda Azul.

Este consistia na implantação do Ensino à Distância - EAD (p. 266) como instrumento de

ensino aprendizagem e disseminador do conhecimento. Outro exemplo é o da Empresa de Correios e Telégrafos - ECT, que iniciou um projeto para informatizar a Memória Organizacional e a Comunidade Virtual. Para a Memória Organizacional, tomou-se como base a estrutura do website Exporta Fácil. Após as adaptações estruturais necessárias, as informações já documentadas e temas de interesse geral, mas não inventados, foram reunidos e publicados na intranet da empresa. Já à Comunidade Virtual completou a memória virtual, pois possibilitou aos funcionários dos correios interagirem, discutindo soluções inerentes ao trabalho da empresa, acumulando conhecimento de forma sistemática (p. 217-219).

Mais um exemplo do uso da tecnologia na iniciativa pública vem de Angeloni (2008).

A autora apresenta casos de sucesso em órgãos públicos brasileiros, assim como Terra. Um dos casos é o do Departamento de Trânsito de Alagoas – DETRAN/AL, ao desenvolver, com software livre, um portal corporativo para processar o conhecimento de seus colaboradores e transformá-lo em conhecimento organizacional sistematizado.

Entre os objetivos da Gestão do Conhecimento estão: (1) formular uma estratégia de alcance organizacional para o desenvolvimento, visando à criação, aquisição, compartilhamento e o uso do conhecimento; (2) implantar estratégias orientadas ao conhecimento; (3) promover uma melhoria contínua dos processos de trabalho; (4) monitorar e avaliar os lucros obtidos mediante aplicação do conhecimento; (5) reduzir o tempo de ciclo de desenvolvimento de novos produtos e melhorias dos já existentes; (6) reduzir o tempo de duração dos processos decisórios (ANGELONI, (Org), 2008, p. 76). 

A mesma autora informa que a capacidade que a uma empresa tem de inovar, sejam em seus produtos, serviços ou processos, também passam, invariavelmente, pelo julgamento das pessoas, ou seja, inovar é reflexo da criação de conhecimento, e a estratégia aplicada à criação de conhecimento pode ser dividida em Estratégia de Avanço e Estratégia de Sobrevivência (p. 7).

Segundo Angeloni (2008, p. 6-7), a estratégia de avanço na gestão do conhecimento diz respeito a garantir o sucesso em negócios futuros de médio e longo prazo, pois tentam reforçar pontos fortes e eliminar pontos fracos. Nesse sentido, a estratégia de avanço orienta a criatividade e a inovação do seu capital humano para acontecimentos futuros. A estratégia de sobrevivência, por sua, se preocupa com o ambiente de negócios atual, com as negociações com clientes e fornecedores, com os relacionamentos que mantém com os grupos externos.

 

Próximo tópico:  a criação do conhecimento

Diel Junior


Bibliografia

ANGELONI, Maria. Terezinha. (Org.). Gestão do conhecimento no Brasil: casos,

experiências e práticas de empresas públicas. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2008.

CARBONE, Pedro Paulo et al. Gestão por competências e gestão do conhecimento. 2. ed.

Rio de Janeiro: FGV, 2006.

TERRA, José C. C. Gestão do conhecimento e E-learning na prática. Rio de Janeiro:

Negócio Editora, 2003.

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